O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e a vereadora Maysa Leão (Republicanos) protagonizaram um bate-boca público na manhã desta terça-feira (10), na Câmara Municipal, após a parlamentar interromper uma entrevista coletiva concedida pelo chefe do Executivo à imprensa.
A confusão começou quando Abilio citou o Instituto Lírios durante a coletiva, afirmando que a entidade teria recebido cerca de R$ 4 milhões em recursos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A organização tem como presidente Muriel Torres, que também atuou como coordenadora de campanha de Maysa em eleições anteriores.
Ao perceber que seu nome havia sido mencionado, a vereadora entrou na sala de imprensa e confrontou diretamente o prefeito. “Você está mentindo. Foi um projeto nacional em que o Instituto Lírios se inscreveu”, afirmou, em tom elevado.
Maysa questionou ainda se havia qualquer irregularidade relacionada a ela ou à entidade. “Eu tenho alguma improbidade? A Muriel tem alguma improbidade? O senhor está dizendo que um instituto com 12 anos de atuação, ligado à Lei Maria da Penha, com voluntárias juízas e defensoras públicas, cometeu ilegalidade?”, disse.
Durante o embate, a vereadora anunciou que irá processar o prefeito por declarações que, segundo ela, configuram acusações indevidas. “Você será processado pela Muriel e pelo Instituto Lírios, porque está fazendo ilações sobre recursos federais”, declarou.
Abilio, por sua vez, sustentou que apenas levantou questionamentos e negou ter acusado formalmente qualquer pessoa de crime. “Eu não disse que ela cometeu ilícito”, respondeu. Em outro momento, provocou: “Já deu seu show?”.
A discussão se intensificou quando o prefeito voltou a citar um episódio ocorrido em agosto do ano passado, durante uma audiência pública promovida por Maysa, na qual uma adolescente relatou supostos abusos sexuais sofridos pelo pai. Segundo Abilio, a jovem era assistida pelo Instituto Lírios, e a exposição poderia ter violado dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“O ECA autoriza uma menor de idade a subir à tribuna, mesmo com autorização da mãe e do psicólogo?”, questionou o prefeito.
Maysa reagiu acusando Abilio de violência política de gênero. “Ele não vai ficar falando de mim. Isso é violência política”, afirmou, enquanto assessores tentavam retirá-la do local.
O bate-boca durou cerca de dez minutos, com troca de acusações, promessas de ações judiciais e menções a possível prevaricação. Diante do clima tenso, a coletiva foi encerrada.


