O clima esquentou na audiência pública, na segunda-feira (02.02), sobre abastecimento de água no Cristo Rei. Em discurso contundente, o vereador de Várzea Grande, Alessandro Moreira (MDB), não poupou críticas ao diretor do DAE, coronel Zilmar, e deixou claro o recado: "Quem não gosta de crítica em cargo público tem que renunciar".
O parlamentar, que preside de segundo mandato, fez questão de frisar a diferença: "Eu fui votado, o senhor foi nomeado" - uma cutucada direta na legitimidade democrática do gestor indicado.
A bronca veio temperada com números. A ETA do Cristo Rei custou R$ 35 milhões, foi inaugurada em 2021 baseada em parecer de engenheiro do próprio DAE, mas o abastecimento que funcionava perfeitamente com poços artesianos virou um pesadelo. 55 dias sem água no Orlando Chaves, segundo moradores.
O vereador não engoliu a postura do diretor com a população: "Ficar nervoso, deselegante com a população que está aqui" - e emendou lembrando que a gestão anterior de Azambuja já tinha deixado o DAE com fama de "reino" inacessível.
Mas a pancada mais forte veio na denúncia de omissão: "Vocês tinham conhecimento e deixaram o povo gritar, gritar". Segundo o parlamentar, a direção do DAE sabia do problema e só apareceu depois que a comunidade se organizou e pressionou.
E o racha institucional ficou escancarado. O vereador revelou conversa com a prefeita sobre manutenção dos poços artesianos: ela cobrou licitação para liberar recursos, ele devolveu dizendo que "ela quer saber da água" - sugerindo que o jogo de empurra entre prefeitura e autarquia está travando soluções.
No final, o recado foi direto: "O que a gente quer é água na casa das pessoas para funcionar como antes funcionava". Simples assim. Sem firulas técnicas, sem enrolação burocrática.
A população aplaudiu. O diretor do DAE ouviu calado. E a torneira continua seca.


