Em Mato Grosso, dados estatísticos apontam que os crimes de maus-tratos aos animais domésticos crescem de maneira assustadora.
Em quatro anos, de 2022 para 2025, por exemplo, o aumento foi de 386%, saltando de 162 para 463 queixas registradas na polícia.
Comparando 2023 com 2025, verifica-se um crescimento de 107%, de 224 para 463.
Em 2022, as agressões contra cães e gatos resultaram em 55 mortes.
Crueldade contra animais é crime previsto na Lei 9.605/1998, com pena de detenção de três meses a um ano, e multa
Se a vítima for cão ou gato, a Lei 14.064/2020 prevê aumento da pena de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda do animal.
A delegada Liliane Murata, titular da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (DEMA), unidade que engloba atendimentos em Cuiabá e Várzea Grande, diz que grande parte das denúncias registradas o animal está sofrendo e tão debilitado que não se locomove mais.
"Estão sem condições de se abrigar do sol, da chuva, sem alimentação ou até com a água", lamenta Liliane.
A morte do cão comunitário Orelha por maus-tratos, ocorrida na Praia Brava, em Santa Catarina, em quatro de janeiro deste ano, gerou uma comoção nacional.
Como resultado, surgiram novas propostas de lei na Câmara Federal, pelo menos 5 até a última sexta-feira.
Além disso, foram lançadas campanhas com abaixo-assinados pedindo aumento da pena.
Por outro lado, há quem ame os animais com tamanha devoção que chega a surpreender quem avalia que respeitar não é considerá-los filhos.
Em Cuiabá, as cachorrinhas Cristal, de 10 anos, e Sol, de 8, mãe e filha, têm vida de princesa.
As duas dormem no ar-condicionado e comemoram seus aniversários de fazer inveja aos humanos.
Nos aniversários, elas têm direito a bolo, petiscos e muitos convidados de quatro patas.
Os humanos que levam seus pets celebram juntos, com churrascos.
A "mãe" de Cristal e Sol é a servidora pública estadual Lucilene Rodrigues de Lima, 55 anos, uma apaixonada por animais.
No aniversário de 10 anos da Cristal, em agosto do ano passado, a casa foi decorada com balões estampados com patinhas, mesas com forro de cetim, lações e outros adereços.
"Vivi uma infância rodeada de cães, gatos, papagaios e outros animais", conta Luci, como a servidora é conhecida.
Luci não teve filhos e diz que ajuda e é apaixonada pelos sobrinhos, mas se considera mesmo mãe mesmo é de pet.
"Nem consigo imaginar Cristal e Sol sofrendo maus-tratos. Sendo submetidas a tamanha crueldade", avalia Luci.
Além sentir-se sentir mal só de pensar nessa possibilidade, a servidora diz: "farei a pessoa sofrer uma dor igualmente aquela que causou ao meu cãozinho amado".
"Depois disso a levarei a responder na Justiça por um crime tão severo. No mínimo isso", completa ela.
Para o autônomo José Antônio de Matos Oliveira e Silva, 39, os cães podem ser amigos e fazer companhia aos humanos.
José, têm dois vira-latas em casa, Barão e Pretinho, de 8 e 6 anos, respectivamente.
"Meus filhos são apaixonados por nossos cães, mas não os aceitei dormindo com eles na cama", revela.
"Barão e Pretinho são respeitados, alimentados, recebem atenção em saúde, se divertem com as crianças, mas nada de tratá-los como humanos", sentencia.
SERVIÇO
Abandono e maus-tratos aos animais podem ser denunciados, entre outros meios, pelo 190, da polícia; Delegacia Especializada do Meio Ambiente(65) 3613-8941 ou (65)-98153-0239 (plantão); Batalhão de Polícia Militar Ambiental de Várzea Grande(65) 9 8170-0307; 2ª Companhia Independente de Polícia Militar de Proteção Ambiental de Rondonópolis -(66) 9 8467-7838, e 1ª Companhia Independente de Polícia Militar de Proteção Ambiental de Cáceres, (65) 9 9973-1333, 3223-3542, e Núcleo de Polícia Militar de Proteção Ambiental de Barra do Bugres (65) 3361-1029.


