O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB) e a Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Mato Grosso (OAB-MT), representada pela presidente Gisela Cardoso, cobraram punição da juíza da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, Mônica Catarina Perri. Em nova manifestação apresentada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na última semana, as entidades rebateram as alegações e informações apresentadas pela magistrada e destacaram que ela faltou com decoro e respeito institucional ao dizer “que se dane a OAB” durante sessão do Tribunal do Júri realizada em dezembro do ano passado, em Cuiabá.
"Diante do exposto, o Conselho Federal da OAB e a OAB/Mato Grosso pugnam pela rejeição das teses apresentadas nas Informações, diante da existência de indícios suficientes de violação aos deveres de urbanidade, decoro e respeito institucional", diz trecho da manifestação.
No dia 15 de dezembro, durante o julgamento do policial civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz, a juíza Mônica Perri teria adotado atitudes que desagradaram a defesa do réu, que tinha como um dos advogados o criminalista Cláudio Dalledone, dando início a uma confusão no plenário.
Diante da situação, Dalledone acionou o Tribunal de Defesa das Prerrogativas da OAB para comparecer ao plenário. No entanto, a magistrada teria continuado a adotar condutas que desagradaram o advogado.
Em determinado momento, o jurista reforçou que havia acionado a OAB, e a magistrada rebateu dizendo “que se dane a OAB” e “pode chamar a presidente”. Em seguida, determinou a retirada dos representantes das prerrogativas do plenário e encerrou o julgamento, remarcando-o para o dia seguinte, com o sorteio de um novo Conselho de Sentença.
No dia seguinte, advogados e outros membros da OAB, inclusive a presidente Gisela Cardoso, compareceram em frente ao Fórum de Cuiabá para protestar contra o ocorrido e foram impedidos de entrar no local. A defesa do réu apresentou exceção de suspeição contra a magistrada, que negou o pedido, e o julgamento foi novamente remarcado para o dia 17 do mesmo mês.
No entanto, antes que o novo júri popular fosse iniciado, o Ministério Público apontou que a defesa do policial civil havia protocolado novos elementos no processo e solicitou o adiamento do julgamento para que todas as partes tivessem tempo hábil para analisar e se manifestar sobre o material. Com isso, a sessão foi remarcada mais uma vez, para o dia 12 de maio de 2026.
Ainda no dia 17, o Conselho Federal da OAB e a OAB-MT protocolaram uma reclamação disciplinar contra Mônica Perri no Conselho Nacional de Justiça (CNJ)


