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Notícias Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2026, 08:52 - A | A

Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2026, 08h:52 - A | A

Policial

Operação Gorjeta: 95% das emendas do Ibrace iam direto para conta de empresário ligado a Chico 2000

Investigação da Deccor aponta que instituto era usado como fachada e repassava os valores recebidos de emendas ao empresário

Repórter MT

A decisão judicial que fundamentou a nova fase das investigações em Cuiabá revela que o Instituto Brasil Central (Ibrace) funcionava como uma "entidade de passagem" para drenar dinheiro público da Câmara Municipal. Segundo o relatório da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), somente em abril de 2025, o instituto recebeu R$ 1,35 milhão em emendas e, em poucos dias, repassou 95% do montante (R$ 1,29 milhão) para a empresa Sem Limite Esporte e Eventos, comandada pelo empresário João Nery Chiroli, também dono da Chiroli Uniformes.

O documento aponta que o Ibrace foi "cooptado" pela associação criminosa para dar uma aparência de legalidade aos repasses. Na prática, embora o instituto assinasse os Termos de Fomento para realizar corridas de rua em Cuiabá, quem executava 100% dos eventos era a empresa de Chiroli, que agia como um "representante informal" do instituto perante a prefeitura.

A Operação Gorjeta foi deflagrada pela Polícia Civil na última terça-feira (27). A ofensiva policial mira um esquema de desvio de emendas parlamentares onde o dinheiro, oficialmente destinado a eventos esportivos, retornava para o vereador Chico 2000 (sem partido) após ser "pulverizado" pelas empresas de Chiroli. No total, a Justiça autorizou 75 ordens judiciais, incluindo o afastamento do parlamentar do mandato de vereador e o bloqueio de bens dos envolvidos.

A estreita ligação entre João Chiroli e o vereador afastado Chico 2000 foi confirmada por meio de conversas de WhatsApp extraídas pela perícia. Os diálogos mostram que, meses antes da assinatura oficial dos contratos, Chiroli e o vereador já tratavam sobre a agilização dos termos e a realização das provas esportivas.

O esquema funcionava no formato de "bate-volta". Chico 2000 destinava as emendas ao Ibrace, o instituto repassava 95% para a empresa de Chiroli e, no dia seguinte ao recebimento, o dinheiro começava a ser pulverizado para pagar despesas pessoais do vereador. Em um dos casos, R$ 20 mil foram transferidos diretamente para um pedreiro que realizava obras na estância particular de Chico 2000.

A investigação também descobriu que o Ibrace compartilha sede com outras entidades suspeitas na Morada do Ouro, em Cuiabá. No local, funcionam também o Instituto Social Mato-Grossense (ISMAT) e a empresa MT-Mensura.

Diligências junto à Energisa e Águas Cuiabá revelaram que o endereço não possui sequer contas de consumo em nome do Ibrace, apenas da empresa MT-Mensura, o que reforça o indício de que a entidade foi criada ou cooptada apenas para drenar recursos do erário.

 

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