O senador Jayme Campos (União) voltou a tecer críticas ao governador Mauro Mendes (União) e fez um ataque direto à postura do correligionário dentro do partido. Expressando mais uma vez o seu incomodo com o apoio antecipado de Mauro à pré-candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), Jayme questionou a autoridade do governador para barrar seu projeto ao Palácio Paiaguás e afirmou que não aceitará imposições.
As declarações ocorrem em meio à indefinição no União Brasil sobre lançar ou não candidatura própria ao Governo do Estado. Enquanto Jayme já se colocou como pré-candidato, Mauro Mendes, que preside a sigla em Mato Grosso, tem reiterado apoio a Pivetta e sinalizado que, dentro do partido, o espaço para o senador hoje seria a disputa ao Senado.
Sem citar diretamente decisões formais da legenda, Jayme criticou a condução do processo interno. “Mauro Mendes chegou ontem ao partido e já quer impor? Dizendo que nós vamos apoiar o Otaviano Pivetta? É um direito dele querer impor, mas eu não aceito nenhuma imposição, não tenho necessidade”, disse em entrevista ao podcast Frente a Frente com o Araguaia.
Jayme acrescentou que quem tem compromisso com Pivetta é Mauro Mendes. “Ele tem compromisso com o Pivetta. Nós não temos. Nós não fomos ouvidos. Como é que você toma uma decisão assim e atropela todos os outros companheiros? Isso ofende a alma da gente, é uma falta de respeito”, afirmou.
O senador defendeu que a decisão sobre candidatura própria seja tomada pelas bases do União Brasil. “Eu fiz uma proposta: vamos fazer uma consulta com os prefeitos, vereadores e lideranças do partido. Só uma pergunta: vocês querem candidatura própria a governador, sim ou não? Se o sim vencer, vamos para a disputa. Se não, acabou aqui. Nós sempre fomos do mesmo partido, nunca mudamos. Não é justo sem ouvir nenhum de nós. Nós não somos João qualquer, não. Júlio tem sete mandatos, eu tenho seis. Temos história. Não somos picareta da política”, declarou.
Durante a entrevista, Jayme também reagiu à ideia de que sua candidatura dependeria do aval do governador. “Ah, o Jayme vai ser candidato, o Mauro vai deixar? Quem é Mauro Mendes para dizer que eu não vou ser candidato a governador? Quem é Mauro Mendes? Porque ele é governador e daqui a pouco não é mais. Vai ser ex-governador. Acabou a caneta. Aí nós vamos ver quem tem prestígio com o povo”, afirmou.
O deputado estadual Júlio Campos (União), que também participou da entrevista, reforçou o discurso de que o partido precisa ouvir sua base antes de fechar posição. “Eu defendo que o União Brasil tem que discutir internamente. Nós temos 55 mil filiados. Hoje é fácil fazer uma consulta, até pelo telefone. O partido quer ter candidato a governador ou já quer apoiar alguém de cara? Isso precisa ser decidido com a base”, disse.
Apesar do tom firme, Jayme afirmou que aceitará o resultado caso a maioria do partido não queira candidatura própria. “Se o meu partido não me quiser, eu vou para casa. Eu não vivo de política. Vivo de negócio. Agora, tem que decidir de forma democrática. O que não dá é impor de cima para baixo”, concluiu.


