O juiz Pierro de Faria Mendes, da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, manteve a prisão preventiva do policial militar Raylton Duarte Mourão, acusado de matar a tiros a personal trainer Rozeli da Costa Nunes, em setembro do ano passado, quando ela saía de casa para trabalhar, no bairro Cohab Canelas. Em decisão proferida nessa terça-feira (13), o magistrado alegou que os motivos que resultaram na prisão preventiva do PM permanecem.
Pierro de Faria Mendes ressaltou ainda que manter Raylton Mourão preso é uma medida necessária para assegurar a ordem pública, diante da gravidade do crime cometido por ele.
“Permanece a conclusão de que a prisão preventiva se trata de medida necessária para assegurar a ordem pública, diante da gravidade concreta dos fatos imputados na inicial, revelada, especialmente, pelo modus operandi, em princípio, empregado para a prática dos delitos”, disse o juiz.
Na mesma decisão, o magistrado ressaltou que há provas suficientes de que o crime foi cometido pelo PM, rejeitando a alegação da defesa de que o delegado Bruno Abreu, responsável pelas investigações, teria ignorado provas importantes, como exame pericial balístico e confronto técnico entre a arma, o fragmento retirado do corpo da vítima e a embalagem de munição apreendida.
“Sem embargo da análise mais aprofundada dos elementos probatórios até então produzidos, nesta seara de cognição não exauriente, verifica-se a demonstração da materialidade delitiva e dos indícios de autoria constatados pelos documentos juntados aos autos”, disse.
Por fim, Pierro Mendes determinou a apresentação dos memoriais finais, última etapa do processo antes da decisão final.
“Aguarde-se a apresentação de memoriais finais pelas partes”, acrescentou.
Raylton Mourão está preso desde o dia 21 de setembro de 2024 por ter matado a personal Rozeli Nunes em razão de um processo judicial no qual a vítima cobrava R$ 24 mil dele, por conta de um acidente de trânsito envolvendo o carro dela e um caminhão-pipa da empresa Reizinho Água Potável, de propriedade do militar e da esposa dele, Aline Valandro Kounz.
De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Rozeli foi brutalmente assassinada a tiros dentro do carro dela, nas primeiras horas do dia 11 de setembro. Raylton contou com a ajuda de Vitor Hugo Oliveira da Silva, que estava em uma moto, e ambos aguardaram a vítima nas proximidades da casa dela desde a madrugada daquele dia.
As investigações revelaram que o crime foi planejado e executado por Raylton, motivado por sentimento de vingança e inconformismo em razão da disputa judicial. Enquanto Vitor Hugo pilotava a motocicleta, Raylton atirou várias vezes à curta distância contra a vítima, que morreu no local. Em seguida, ambos fugiram.
Após o crime, a Polícia Civil deu início às investigações e logo identificou indícios da autoria de Raylton. Um mandado de busca e apreensão contra ele e a esposa foi expedido pela Justiça, mas, durante o cumprimento, o casal não foi encontrado.
Oito dias depois, Raylton se apresentou à polícia e foi preso. Dois dias após a prisão do PM, Aline Kounz também se entregou, mas foi liberada após audiência de custódia, pois a participação dela no crime foi descartada.
Vitor Hugo só foi encontrado no dia 30 de setembro, quando tentava fugir para Cáceres (a 218 km de Cuiabá). Ele foi capturado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e confessou ter pilotado a moto para Raylton matar a personal, mas alegou que não sabia que se tratava de um crime quando foi contratado para uma “missão”, mediante a promessa de pagamento de R$ 500.
O piloto também teve um pedido de soltura negado pela Justiça após audiência de instrução realizada no dia 19 de dezembro do ano passado e segue preso.


