A Polícia Civil de Mato Grosso suspeita que o vereador de Cuiabá Chico 2000 usou R$ 20 mil de dinheiro desviado de emendas parlamentares para pagar obras de reforma e construção da pousada Estância Águas da Chapada, de sua propriedade, localizada na Emanuel Pinheiro (MT-251), conforme aponta relatório técnico da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor).
Investigação apura dados coletados no celular do vereador durante a Operação Perfídia em 2025.
Foram identificados pagamentos um construtor contratado para executar serviços na pousada, logo após o recebimento de recursos públicos pelo
Instituto Brasil Central (IBRACE), que é investigado por fazer parte do esquema de desvio de emendas parlamentares destinadas a provas de corrida de rua.
Nas conversas pelo celular, Chico tratava diretamente com o construtor sobre orçamentos, compra de materiais e valores para a obra.
No dia 9 de abril Chico encaminhou áudio ao prestador de serviço avisando que o dinheiro havia sido transferido. As investigações indicam que minutos antes havia sido realizado um PIX de R$ 20 mil para o construtor, sendo que o valor foi transferido pela empresa Sem Limite Esporte e Eventos
Ltda., conhecida como Chiroli Esportes, também investigada pelo esquema.
Na mesma data da transferência o IBRACE havia recebido R$ 400 mil referentes a uma destinada pelo vereador Chico 2000 para a realização da 6ª Corrida do Legislativo.
As investigações indicam que entre novembro de 2022 e abril de 2025, o IBRACE recebeu R$ 5,48 milhões do Município de Cuiabá. Desse total, R$ 3,65 milhões, foram referentes a emendas destinadas por Chico 2000.
O caso
Pelo menos seis pessoas, um instituto sem fins lucrativos e uma empresa foram alvos da Operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Civil na manhã de hoje (27) para apurar um esquema de desvio de emendas parlamentares que teria como vítimas a Câmara Municipal de Cuiabá e a Secretaria Municipal de Esportes. O grupo é composto pelo vereador Chico 2000; o empresário João Nery Chiroli; os servidores da Câmara Municipal de Cuiabá Rubens Vuolo Júnior, chefe de gabinete do vereador Chico 2000, e Joaci Conceição Silva, lotado no gabinete do vereador Mário Nadaf (PV); Alex Jones Silva, presidente do Instituto Brasil Central (IBRACE); e Magali Gauna Felismino Chiroli.
A empresa Chirolli Uniformes e o Instituto Brasil Central também foram alvos da operação.


