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Notícias Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2026, 08:56 - A | A

Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2026, 08h:56 - A | A

Política

Pagamento de férias de vereadores pode custar R$ 3 milhões à Câmara de Cuiabá em 2026

Com 14 parlamentares já contemplados em janeiro, impacto bruto atingiu R$ 1,5 milhão. Se os outros 13 aderirem ao abono, gasto dobrará até o fim do ano

Repórter MT

O início da legislatura de 2026 na Câmara Municipal de Cuiabá foi marcado pelo pagamento de "super-salários" a 14 dos 27 vereadores. Em janeiro, o grupo recebeu, de forma conjunta, R$ 1,532 milhão em valores brutos. A maioria dos parlamentares recebeu R$ 111.691 no holerite de janeiro.

O valor engloba o subsídio mensal, atualmente em R$ 85.284, somado a R$ 26.406 referentes à venda de 30 dias de férias, dispositivo regulamentado pelo próprio Legislativo no fim de 2025.

Caso os outros 13 parlamentares que ainda não utilizaram o recurso decidam vender seus 30 dias de descanso, o impacto total aos cofres públicos apenas com este benefício deve atingir exatos R$ 3.015.657 até dezembro.

Pagamento até para investigado

O montante total autorizado pela presidência da Casa de Leis incluiu até parlamentares afastados judicialmente, como o vereador Chico 2000 (sem partido), que é alvo da Operação Gorjeta da Polícia Civil por suposta lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O cenário de gastos pode se agravar nos próximos meses, uma vez que a adesão ao abono pecuniário depende apenas da vontade individual de cada parlamentar.

A projeção financeira indica que o orçamento da Câmara precisará reservar aproximadamente mais R$ 1,45 milhão para cobrir a eventual venda de férias dos 13 vereadores remanescentes que ainda não solicitaram o pagamento.

Quem já recebeu

Entre os que já garantiram o rendimento extra nos primeiros meses do ano estão:

Adevair Cabral (Solidariedade): R$ 111.691,00

Cezinha Nascimento (União Brasil): R$ 111.691,00

Chico 2000 (Sem partido): R$ 111.691,00

Demilson Nogueira (PP): R$ 111.691,00

Drª Mara (Podemos): R$ 111.691,00

Eduardo Magalhães (Republicanos): R$ 111.691,00

Jefferson Siqueira (PSD): R$ 111.691,00

Kássio Coelho (Podemos): R$ 111.691,00

Marcrean Santos (MDB): R$ 111.691,00

Marcus Britto Junior (PV): R$ 111.691,00

Mário Nadaf (PV): R$ 111.691,00

Rafael Ranalli (PL): R$ 111.691,00

Sargento Joelson (PSB): R$ 111.691,00

O único a optar por uma venda reduzida foi o Tenente-Coronel Dias (Cidadania), que converteu apenas 10 dias, totalizando R$ 80,3 mil brutos.

Privilégio de ser vereador

Diferente do que ocorre na iniciativa privada, onde a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) limita a venda das férias a apenas um terço do período (10 dias), os vereadores de Cuiabá instituíram para si o privilégio de converter 100% do descanso em dinheiro.

Enquanto um trabalhador comum é obrigado por lei a tirar férias de, pelo menos 20 dias, o Projeto de Resolução 43/2025 permite que o parlamentar receba o salário em dobro no mês de referência.

O outro lado

Em nota enviada ao site Repórter MT, a Câmara Municipal de Cuiabá contestou o montante total já recebido pelos 14 vereadores, afirmando que o gasto é de pouco mais de R$ 500 mil. A Casa de Leis argumenta que o valor de R$ 1,5 milhão citado pela reportagem inclui os subsídios mensais, que já constam no orçamento fixo do Legislativo.

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