Em 2025, 2.636 acidentes foram registrados nas estradas federais que cortam Mato Grosso.
Essas ocorrências causaram 243 óbitos, o correspondente a nove mortes a cada 100 sinistros, e deixaram 2.835 pessoas feridas.
Entre as rodovias, a BR-163 - que liga MT a MS e PA - foi a que mais registrou acidentes e vítimas fatais no período.
Os dados constam no “Guia CNT de Segurança nas Rodovias Brasileiras 2026”, lançado na quarta-feira (11), pela Confederação Nacional do Transporte, para orientar motoristas e contribuir para um trânsito mais seguro durante férias e feriados prolongados.
A publicação reúne informações sobre fatores de risco, condições das vias e boas práticas de condução, reforçando a importância do planejamento prévio e da atenção redobrada ao volante.
No Estado, conforme o estudo, a BR-163 contabilizou 969 sinistros, representando 36,8% do total, além de 84 mortes ou 34,6% do total.
No país, as rodovias federais brasileiras registraram 72.476 acidentes, que resultaram em 6.040 vítimas fatais e 83.490 pessoas feridas.
O guia traz ainda trechos específicos da malha viária com áreas críticas.
Na análise por segmentos de até 10 quilômetros, o trecho da BR-070, entre os quilômetros 0 e 10, teve o maior número de acidentes, com 114 ocorrências e uma morte.
Já o segmento da BR-163, entre os quilômetros 640 e 650, foi o mais letal, com 11 mortes. Por lá, ocorreram 12 acidentes.
Outros pontos considerados de alto risco incluem trechos das BRs 364 e 070, além de segmentos adicionais da BR-163, especialmente nas regiões com grande fluxo de veículos de carga.
Seguindo tendência nacional, as colisões foram mais frequentes nas BRs que cortam o território mato-grossense, com 1.353 registros, o equivalente a 51,3% das ocorrências.
Também concentraram a maior parte das mortes, sendo 176 vítimas fatais, ou 72,4% do total.
Na sequência, aparecem saídas de pista, com 634 acidentes (24,1%) e 32 mortes (13,12%), e capotamentos ou tombamentos, que somaram 213 registros (8,1%) e 11 óbitos (4,5%).
Já os atropelamentos resultaram em 20 falecimentos (8,2%), apesar de representarem apenas 4,4% dos acidentes (117).
A falha humana aparece como principal causa dos sinistros.
De acordo com o estudo, a reação tardia ou ineficiente do condutor é o fator mais recorrente, com um total de 500 acidentes ou 19,0% do total. Em relação à principal causa associada às mortes, trafegar na contramão é apontada em 46 casos, o correspondente a 18,9% dos óbitos registrados no Estado no mesmo ano.
Além das estatísticas de acidentes, o guia traz um recorte da Pesquisa CNT de Rodovias 2025, já divulgado pelo DIÁRIO, no 23 dezembro do ano passado, na matéria intitulada “Condições de rodovias elevam custo do transporte em 39,4% em MT” e que revela a existência de 99 pontos críticos identificados ao longo das estradas em Mato Grosso.
Com esses dados, a ideia é orientar motoristas sobre fatores de risco e planejamento de viagens, incluindo o conhecimento prévio das condições do trajeto, do pavimento e da sinalização.
Também o uso de ferramentas como o “Painel CNT de Acidentes Rodoviários” pode ajudar a identificar rotas mais seguras e reduzir riscos, especialmente em períodos de férias e feriados prolongados.
“Considerando ainda a possibilidade de problemas na infraestrutura viária ao longo do caminho, é imprescindível que o motorista avalie previamente as condições das rodovias por onde irá transitar, realizando um planejamento adequado da rota”, orienta.
“Recomenda-se priorizar trechos em melhores condições, conhecer alternativas de percurso para eventuais imprevistos e identificar previamente pontos de parada, de modo a organizar períodos de descanso, recarga ou abastecimento”, acrescenta.
DUPLICAÇÃO – Concessionária que administra 850,9 km da BR-163 em Mato Grosso, a Nova Rota do Oeste aponta redução nas ocorrências.
Dados divulgados em janeiro passado apontam que, com o avanço da duplicação, o número de mortes na BR-163 caiu 25% no último ano em comparação a 2023, quando tiveram início as obras de grande porte.
Exemplo disso são os trechos de Diamantino a Nova Mutum (BR-163) e da Rodovia dos Imigrantes (BR-070), em Cuiabá e Várzea Grande, que registraram os maiores percentuais de redução: 95% e 80%, respectivamente.
Com queda de 95% nas mortes, o trecho entre Diamantino e Nova Mutum (Norte de MT), se destacou em segurança, com um óbito registrado em 2025, contra 25 em 2023.
Para a concessionária, a queda no número de casos resulta de um conjunto de ações, que inclui obras, conscientização e fiscalização.


