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Notícias Segunda-feira, 02 de Março de 2026, 08:25 - A | A

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Emergência 1: entenda o que está por trás das 15 barragens sob alerta em MT

Especialista explica o que significa o enquadramento em emergência e se há risco imediato para a população

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Mato Grosso possui atualmente 15 barragens de mineração classificadas em nível de emergência 1, segundo o Sistema de Gestão de Segurança de Barragens de Mineração da Agência Nacional de Mineração (ANM), divulgado nesta semana. Desse total, 13 estão embargadas. A informação foi confirmada pelo professor Caiubi Kuhn, geólogo e docente da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que explica o que essa classificação realmente significa e se há risco imediato para a população.

De acordo com ele, a ANM enquadra como nível de emergência 1 as barragens consideradas de alto risco ou aquelas em que foram identificadas anomalias técnicas com pontuação seis. “Quando as barragens estão classificadas dessa forma, a Agência geralmente solicita uma série de condicionantes aos empreendedores. Tanto que, das 15 barragens, 13 estão atualmente embargadas”, afirmou.

O nível de emergência 1 não significa rompimento iminente, mas indica necessidade de providências imediatas por parte do responsável pela estrutura. Segundo Kuhn, a classificação das barragens leva em conta três critérios principais: características técnicas da estrutura, estado de conservação e o Plano de Segurança de Barragens. Se o conjunto desses fatores apontar alto risco, a barragem automaticamente entra em nível de emergência.

Dados do Boletim Mensal de Segurança de Barragens de Mineração da ANM, referente a janeiro de 2026, mostram que o Brasil possui 908 barragens de mineração cadastradas no Sistema Integrado de Gestão de Segurança de Barragens (SIGBM), sendo 470 enquadradas na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB).

Para o professor, no entanto, é preciso analisar o contexto. Ele destaca que, em vários casos no Estado, o dano potencial associado às barragens foi classificado como baixo e que a gestão operacional, na maioria das estruturas, recebeu nota A ou B, o que indica bom acompanhamento técnico. “O fato de elas terem sido classificadas no nível de emergência 1 fará com que a ANM e a própria Sema realizem um acompanhamento ainda mais rigoroso, além de exigir que os empreendimentos adotem medidas para aumentar a segurança dessas estruturas”, explicou.

Questionado sobre as causas mais comuns que levam uma barragem a entrar em emergência, Kuhn reforça que não há um único fator isolado. As falhas podem estar relacionadas ao projeto, à manutenção, ao estado de conservação ou à necessidade de atualização do plano de segurança. O enquadramento, segundo ele, funciona como um alerta técnico para correções imediatas.

O debate sobre segurança ganhou força no Brasil após os rompimentos das barragens de Mariana (2015) e Brumadinho (2019). Kuhn lembra que a legislação evoluiu significativamente desde então. “As regras atuais são muito mais rigorosas do que as que existiam anteriormente. A barragem de Brumadinho, por exemplo, estava classificada como de baixo risco de acidentes, porém com alto potencial de danos. Por isso, é sempre importante analisar todos os fatores”, afirmou.

Para ele, a existência de barragens em nível de emergência não deve ser interpretada automaticamente como cenário de desastre iminente, mas como resultado de um sistema que identifica riscos antes que acidentes aconteçam. “A classificação e o devido acompanhamento são fundamentais para que sejam tomadas as medidas necessárias e evitar novos desastres no futuro”, completou.

O relatório da ANM também aponta que, em janeiro de 2026, havia 87 barragens em situação de alerta ou emergência no país. O monitoramento ocorre em tempo real por meio do SIGBM Público, ferramenta que reúne dados técnicos e permite o acompanhamento das estruturas em todo o território nacional.

Em Mato Grosso, segundo Kuhn, boa parte das estruturas classificadas em nível de emergência está associada a empreendimentos de menor porte, muitos deles vinculados à atividade garimpeira. Esse perfil, explica, exige atenção especial porque frequentemente envolve estruturas mais antigas, com menor capacidade técnica instalada e maior dificuldade de adequação imediata às exigências normativas. “Quando falamos em barragens de mineração no Estado, estamos tratando de realidades muito distintas das grandes mineradoras de Minas Gerais. Isso impacta diretamente na capacidade de investimento, na manutenção e na estrutura de gestão de risco”, pontuou.

O geólogo destaca ainda que, após os rompimentos em Mariana e Brumadinho, o Brasil passou por uma profunda revisão normativa, com critérios mais rigorosos de classificação e monitoramento. “Hoje há muito mais controle, mais exigências documentais e mais responsabilização técnica. A classificação em nível de emergência, nesses casos, também reflete um sistema mais sensível para identificar anomalias antes que elas evoluam”, afirmou.

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